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Varejo brasileiro: queda em Dezembro, mas crescimento anual de 1,7% em 2023

Por: FCDL SÃO PAULO 20 de fevereiro de 2024
Varejo brasileiro: queda em Dezembro, mas crescimento anual de 1,7% em 2023

Em dezembro, as vendas varejistas no Brasil registraram a maior queda em um ano, valor bem acima do esperado, apesar do período de Natal. No entanto, o ano de 2023 encerrou com um aumento significativo, marcando a maior aceleração em quatro anos.

Em dezembro, as vendas registraram uma queda de 1,3% em relação ao mês anterior, representando o declínio mais significativo desde dezembro de 2022 (-1,9%). Os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) surpreenderam negativamente, ficando bem abaixo das expectativas da pesquisa da Reuters, que previa uma retração de apenas 0,2%.

Em relação ao mesmo mês do ano anterior, as vendas registraram um aumento de 1,3%, ficando aquém da expectativa de avanço de 2,9%.

Com isso, o setor encerrou o ano de 2023 com um aumento acumulado no volume de vendas de 1,7%, representando uma melhoria em comparação à taxa de 1,0% em 2022 e a maior desde 2019 (+1,8%). Este foi o sétimo ano consecutivo de crescimento nas vendas varejistas, incluindo o período da pandemia.

“O que dá para dizer com um crescimento desse tamanho em 2023 é que parte da melhora conjuntural (da economia) não se transformou em demanda, parte foi usada para reduzir dívidas acumuladas anteriormente”, explicou Cristiano Santos, gerente da pesquisa.

Ao longo do ano passado, o varejo brasileiro enfrentou dificuldades para ganhar impulso significativo, mantendo-se em grande parte estável durante a maioria dos meses.

Por um lado, o mercado de trabalho aquecido e a inflação baixa contribuíram para as vendas, enquanto, por outro lado, os juros elevados exerceram pressão sobre o crédito, limitando o crescimento.

“As perspectivas continuam desafiadoras para o varejo, mas alguns elementos nos fazem acreditar em um cenário de desaceleração gradual do crescimento e não de queda, como o maior espaço na renda e capacidade de endividamento das famílias, assim como a manutenção do mercado de trabalho apertado e o processo de desinflação da economia, que segue em curso junto com o afrouxamento das condições monetárias pelo BC”, avaliou João Savignon, chefe de pesquisa macroeconômica da Kínitro Capital.

Das oito atividades pesquisadas, seis apresentaram um desempenho negativo em dezembro em comparação com o mês anterior, destacando-se Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-13,1%), Móveis e eletrodomésticos (-7,0%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-3,8%).

Segundo Santos, essa tendência se deve à Black Friday em novembro. “Nos últimos anos, observamos uma diminuição do peso das vendas de fim de ano no comércio, com a Black Friday ocupando cada vez mais esse espaço”, explicou.

Os únicos dois grupos que apresentaram uma taxa positiva no mês foram Combustíveis e lubrificantes, com 1,5%, e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com um aumento de 0,8%.

O comércio varejista ampliado, que abrange veículos, motos, partes e peças, e material de construção, registrou uma queda de 1,1% nas vendas em dezembro, mas encerrou 2023 com um aumento acumulado de 2,4%.

Ao longo do ano, sete das onze atividades pesquisadas no contexto do varejo ampliado encerraram o ano com resultados positivos.

Os maiores desempenhos foram observados em Veículos e motos, partes e peças (8,1%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (4,7%), Combustíveis e lubrificantes (3,9%), e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (3,7%).

“O aumento nas vendas de Veículos e motos, partes e peças reflete uma recuperação do setor, que enfrentou um período de baixas receitas, especialmente após a pandemia. Após vários períodos de fechamento nos anos anteriores, o setor experimentou uma queda significativa seguida de uma recuperação gradual”, explicou o gerente da pesquisa, destacando também a influência de programas de incentivo do governo para o setor.

Diante dos dados apresentados, fica claro que o cenário do comércio varejista no Brasil em 2023 foi marcado por uma série de desafios e oportunidades. Enquanto algumas áreas enfrentaram quedas significativas nas vendas, outras conseguiram se recuperar e até mesmo registrar crescimento, refletindo a complexidade e a resiliência do mercado. A influência de fatores como a pandemia, políticas governamentais e mudanças nos hábitos de consumo se destacam como elementos determinantes nesse contexto. No entanto, fica evidente que, mesmo diante de obstáculos, o comércio varejista brasileiro continua a se adaptar e a buscar formas de impulsionar seu desempenho, mantendo-se como um importante motor da economia do país.

Fonte: agência IBGE notícias/ CNN BRASIL

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