Um terço dos comerciantes diz que criminalidade no Brasil reduz movimento nas lojas
O Brasil atingiu, em 2024, sua menor taxa de homicídios em 14 anos, segundo os dados mais recentes do Atlas da Violência, divulgados no último mês. Em Minas Gerais, o número de roubos consumados diminuiu quase 28% entre 2024 e 2025, de acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Ainda assim, a percepção de risco da população permanece elevada e, para 58% dos brasileiros, a segurança pública é o maior problema do país. O temor tem impactos não só nas políticas de segurança pública, mas também na economia.
O noticiário sobre crimes e violência no país se reflete no caixa do varejo brasileiro, analisa um novo relatório do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar) e da Fundação Instituto de Administração (FIA) Business School. O estudo “O Custo Oculto da Bala” revela que 33% dos lojistas brasileiros relatam queda no movimento após o noticiamento de episódios violentos no país, e 25% dizem ter precisado alterar e restringir horários para evitar a exposição noturna.
Um dos autores da pesquisa, o professor da FIA Business School e presidente do Ibevar, Claudio Felisoni, pondera que, acumuladas, notícias sobre o crime organizado, por exemplo, criam uma percepção de risco mesmo em locais distantes do epicentro dos acontecimentos. Isso ocorre, segundo ele, devido ao viés de disponibilidade, conceito da psicologia social que diz que, quanto mais as pessoas são expostas a uma informação, maior a chance de elas acreditarem que os eventos descritos por ela se repetirão.
Ou seja, quanto mais o consumidor é exposto ao noticiário de crimes, maior a chance de ele crer que o país está perigoso. “As pessoas normalmente olham a criminalidade exclusivamente sob o aspecto da segurança. Mas o estudo revela que o impacto se desdobra em um uma dimensão muito concreta na atividade econômica. Já temos uma economia extremamente fragilizada pela taxa de juros e pela polarização política. Quando se dimensiona os reflexos da insegurança, me parece ser um resultado muito importante”, diz.
O presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belo Horizonte e Região (Sindilojas/BH), Salvador Ohana, tem outra perspectiva. Ele compara a capital mineira a São Paulo, por exemplo. “A percepção em Belo Horizonte talvez seja um pouco menor do que em São Paulo. BH tem também essa questão da criminalidade, do comércio de centro que é inseguro e alguns bairros também têm esse tipo de insegurança. Os shoppings já têm mais segurança, levando a clientela no horário noturno. A criminalidade influencia em Belo Horizonte, mas não é tão grave como em São Paulo. Acho que é essa percepção do varejo aqui”.
De qualquer forma, para o professor Claudio Felisoni, a relação entre criminalidade e economia demonstra a importância de ações pela segurança para a preservação da economia nacionalmente. “A segurança pública é uma discussão que está tomando conta da sociedade brasileira, assim como já tivemos questões como a inflação, que dominaram a agenda eleitoral durante muitos anos. Não tenho dúvida de que a questão da segurança é uma pauta fundamental nas campanhas eleitorais”, conclui.
Com informações de O Tempo
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