3 erros que a IA pode cometer em seu negócio
Apesar de todos os avanços tecnológicos que beneficiam a rotina dos comerciantes, o uso em demasia de ferramentas como o ChatGPT pode desencadear consequências imprevistas.
O uso da Inteligência Artificial (IA) para criar e selecionar conteúdo através de ferramentas como o ChatGPT e outras que simulam a linguagem humana tem causado um grande impacto na web, levando os chatbots a conquistarem um número crescente de usuários.
No entanto, as palavras de Neil Patel, uma das principais autoridades em marketing digital globalmente, durante o Latam Retail Show 2023, destacam a necessidade de equilíbrio em meio a essa empolgação. Ele aponta que é fundamental reconhecer que a IA, assim como nós, está sujeita a cometer erros.
Entre os alertas apresentados pelo especialista, estão problemas como desinformação, conteúdo excessivamente repetitivo e carente de humanização, além de uma lógica excessivamente rígida. Vamos analisar esses aspectos em detalhes:
1- INFORMAÇÕES DESATUALIZADAS
Patel tem uma visão de que estamos à beira de uma revolução na comunicação, impulsionada por tecnologias como a Inteligência Artificial. No entanto, ele enfatiza a importância de não nos tornarmos reféns dessas tecnologias, mas sim de aprender a utilizá-las de forma eficaz, exercendo discernimento ao fazê-lo.
Além disso, Patel destaca a relevância de uma comunicação precisa ao vender produtos ou serviços. Muitos acreditam que a IA é infalível, mas é vital entender que ela tem suas limitações. Por exemplo, considerando o ChatGPT, é importante saber que ele possui um limite de conhecimento que se estende apenas até 2021, o que implica em informações desatualizadas em um mundo em constante evolução. Portanto, é essencial estar ciente dessas limitações ao contar com a IA para informar e envolver os consumidores de maneira eficaz.
“O aprendizado da máquina trabalha constantemente para aprimorar a tecnologia, como mecanismos de pesquisa, mas isso ainda é limitado e perigoso para muitos negócios”, afirma.
Patel destaca que uma das características distintivas do ChatGPT é sua notável habilidade de interação com os usuários. Para quem tem pouca experiência com essa tecnologia, a impressão inicial é que ela consegue reproduzir de maneira impressionantemente fiel tanto a escrita quanto o estilo da linguagem humana.
Contudo, é nesse ponto que reside uma possível armadilha. Essa percepção pode levar à falsa impressão de que o robô está sempre correto, mesmo quando não está. A maioria dos chatbots, quando confrontados com perguntas às quais não sabem responder, costuma informar ao usuário que não possuem conhecimento sobre o tópico.
Por outro lado, o ChatGPT é capaz de elaborar respostas que aparentam lógica e coerência, mesmo que tais respostas sejam imprecisas ou incorretas. Portanto, sua capacidade de simular entendimento pode levar a equívocos, uma vez que, embora pareça ter compreensão, pode, na verdade, fornecer informações incorretas. É fundamental estar ciente desse aspecto, ao utilizar essa ferramenta, para evitar a disseminação de informações equivocadas.
2- CONTEÚDOS SIMILARES E REPETITIVOS
Para aqueles que estão se familiarizando com a tecnologia de Inteligência Artificial (IA), o conteúdo gerado inicialmente pode parecer impecável – diversificado, envolvente e até inovador.
Contudo, o especialista destaca que, após uma exposição frequente a essa tecnologia, o conteúdo tende a se tornar monótono e até banal. Surge a sensação de estar diante de uma repetição constante, com textos escritos de maneira semelhante e genérica.
Ao examinarmos com mais profundidade, Patel aborda a questão do estilo, uma vez que as IAs “tendem a produzir textos com estilos distintos dos humanos, frequentemente adotando uma linguagem mais formal. Além disso, têm a tendência de criar conteúdo desprovido de significado, coerência e contexto.”
Adicionalmente, as IAs geralmente “necessitam da habilidade de citar fontes confiáveis e têm uma propensão a gerar textos com padrões repetitivos e estruturas de linguagem similares.” Portanto, é importante estar ciente dessas nuances ao utilizar a IA para garantir a qualidade e relevância do conteúdo gerado.
3- CONTEÚDO ENVIESADO
O fato de o software ter sido treinado com uma ampla variedade de conteúdos disponíveis na Internet possibilita que a ferramenta seja capaz de gerar textos que se assemelham a postagens em redes sociais, incluindo aquelas que fazem parte de um cenário marcado por discursos de ódio, ofensas políticas e culturais.
Em meio a um ambiente online que frequentemente abriga conteúdos indesejados, parciais, enviesados e até preconceituosos, Patel enfatiza que o próprio ChatGPT já emitiu alertas acerca de sua capacidade de produzir conteúdo tendencioso. Este não é um problema exclusivo do ChatGPT, mas sim uma questão que afeta muitas outras Inteligências Artificiais treinadas por meio de aprendizado de máquina.
A ampla gama de informações com as quais essas IAs são treinadas pode inadvertidamente incluir preconceitos e viés, uma vez que reflete a diversidade (tanto positiva quanto negativa) encontrada na Internet. Portanto, é fundamental que os usuários estejam cientes dessa limitação ao interagir com essas tecnologias e que as empresas responsáveis pelo desenvolvimento dessas ferramentas continuem trabalhando para mitigar essas questões e melhorar a imparcialidade.
Assim, fica claro que a utilização de tecnologias baseadas em Inteligência Artificial, como o ChatGPT, para gerar conteúdo e interagir com os usuários, é uma faca de dois gumes. Embora essas ferramentas demonstrem impressionantes habilidades de reproduzir a linguagem humana, elas carregam consigo desafios significativos relacionados à imparcialidade, ao preconceito e à falta de contexto.
Portanto, pode-se concluir que a IA é uma ferramenta poderosa, porém imperfeita, que exige um uso responsável e consciente. A disseminação de informações imprecisas ou tendenciosas pode ter sérias consequências na sociedade, ampliando a disseminação de discursos de ódio e preconceito. Portanto, é vital que tanto os desenvolvedores quanto os usuários estejam cientes dessas limitações e trabalhem ativamente para mitigar os riscos, seja por meio de regulamentações mais rigorosas, treinamento mais diversificado das IAs ou pela aplicação de verificações e validações rigorosas em seu conteúdo gerado.
A Inteligência Artificial é uma inovação incrível que vem auxiliando muito o varejo em seu todo, mas a responsabilidade de seu uso ético recai sobre aqueles que a criam e a utilizam. Somente por meio de um esforço conjunto podemos aproveitar ao máximo os benefícios da IA, ao mesmo tempo em que protegemos contra os potenciais malefícios que podem surgir da sua aplicação desinformada e desprotegida.
Fonte: diário do comércio
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